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Distante de outros centros urbanos, no extremo sul do Brasil, a Colônia Itapuã é uma comunidade com hábitos bem característicos. A localidade, que já abrigou 2474 pessoas durante mais de 70 anos de existência, conta com apenas 35 moradores, todos acima de 60 anos. Ninguém gosta de lembrar o que o lugar foi no passado, mesmo que para muitos a lembrança inscreva-se no próprio corpo.

Pórtico

A chegada

Praça

Regras de convivência

Refeitório

questões de gênero

Praia

Relação entre moradores

Hospital

A doença

Cassino

Entretenimento

Casa das irmãs franciscanas

Casa das irmãs franciscanas

Amparo

Filhos separados dos pais

Igreja católica

Casamentos

Igreja evangélica

Vida religiosa, conversão forçada ao catolicismo

Administração da colônia

Estrutura da colônia e história da lepra

Cemitério

Reflexões sobre o futuro

Dona Eva

Residente desde 1959

João Saldanha

Residente desde 1971

João e Theresina

Ele residente desde 1961, ela desde 1970

Elma e Juraci

Residentes desde 1949 e 1958, respectivamente

Marlene e Nair

Residentes desde 1963 e 1956, respectivamente



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O Hospital Colônia Itapuã é subordinado à Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. Ainda hoje, este é o seu prédio administrativo.

A moeda nacional não podia circular na Colônia, e para as transações comerciais seriam fornecidas moedas e fichas cunhadas especialmente para os internos. Ainda assim, a medida durou pouco: a moeda interna foi extinta em razão do alto índice de falsificações.





Correio do Povo | 08.05.1940
  
Correio do Povo | 09.05.1940

Correio do Povo | 09.05.1940

Correio do Povo | 09.05.1940

Correio do Povo | 11.05.1940

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Correio do Povo | 14.05.1940

HISTÓRIA DA LEPRA NO BRASIL

Heráclides César de Souza Araújo (1886–1962) foi um cientista brasileiro conhecido por seu trabalho de pesquisa para o controle e tratamento da hanseníase. As três obras aqui selecionadas, de autoria do pesquisador, apresentam um apanhado histórico da doença no Brasil dos anos de 1500 a 1952.

O morham é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 6 de Junho de 1981. Suas atividades são voltadas para a eliminação da Hanseníase, com foco na conscientização e construção de políticas públicas eficazes para a população. Uma das frentes de trabalho da entidade é a criação de material didático e histórico sobre a situação da doença e das pessoas afetadas por ela.


ENFERMO DE LEPRA POR HIERONYMUS BOSCH,
PINTOR E GRAVADOR HOLANDÊS DOS SÉCULOS XV E XV

“JUÍZO FINAL”, DE BERNAERT VAN ORLEY – PINTOR BELGA DO SÉCULO XVI

“JUÍZO FINAL”, DE BERNAERT VAN ORLEY – DETALHE

GRAVURA EM MADEIRA DE JOHAN SCHOBSSER, DE 1487

EURALDE DE ESPINQUS, PINTOR NATURAL DO SEC. XV

CRISTÃO SOCORRENDO UM LEPROSO.
ENTALHE EM MADEIRA DE ARTISTA NÃO IDENTIFICADO. FRANKFURT, 1571.

REPRODUÇÃO DE “CHOCALHO”
UTILIZADO PELOS LEPROSOS PARA SINALIZAR SUA CHEGADA
ALERTANDO AS PESSOAS DO “PERIGO” REPRESENTADO POR SUA DOENÇA.
INTRODUÇÃO

DONA EVA:   1    2    3    4

“Nós levantava de madrugada, escuro, atravessava o mato, e nós cuidava o guarda. Nós tinha um guarda que, aquele era um verdadeiro pai, o seu Amador. O Seu Amador foi um verdadeiro pai pra nós. Ele fazia de conta que não enxergava nós. Alguns que entregavam nós, era dos nossos mesmo, às veiz pra aparecer, pra se mostrar pra direção, né. então entregavam os colega. “Ah, fulano fugiu”. O seu Amador quando via que a gente ia fugir ele fazia de conta que não via, ele virava pro lado, assobiava. As vez descobriam, né… Aí eles iam lá na subida da lomba, lá fora, quando o ônibus vai fazer a volta, atravessava o jipe na frente e o Dr. Ari entrava no ônibus e olhava, “Psiu! Vem.” A gente queria viver, a gente era jovem…só aqui dentro, vendo velho e sempre por sob as ordem dos outro, né, não tinha liberdade. Então a gente queria sair uma vez, que nem passarinho, que sai da gaiola. Voava um pouco. Aí a gente se dava mal.”

INTRODUÇÃO

DONA EVA:   1    2    3    4

“Eu saí 2 vez e voltei, sempre me dei mal. Enquanto eu podia, tinha força para trabalhar eu trabalhava. Uma vez eu cheguei lá no emprego…não sei quem que disse, não posso saber quem foi, nunca soube. Disseram: “não dá emprego pra esta menina que ela é lá do leprosário”. E daí quando eu cheguei, a mulher até foi educada, disse “Olha, tu me desculpe, mas eu já tenho outra aqui que vai trabalhar pra mim.”

INTRODUÇÃO

DONA EVA:   1    2    3    4

“Era bem trancado mesmo! Era bem trancado! Depois veio uma ordem de lá do Rio de Janeiro, né, que quem tivesse pelo menos três exame bom, já podia chegar pro lado de fora do portão.”

INTRODUÇÃO

DONA EVA:   1    2    3    4 

Uma vez eu me lembro que veio uma caravana de, de Porto Alegre apresentar um.. um show aqui pra nós e tinha um menino, o menino acho que deveria ter, na época, eu acho que uns 12 pra 13 ano, né, e eu.. eu, eu e mais alguns, que já não existe mais aqui, ouvimos o menino dizer, nóis ia saindo, tinha terminando, né, tinha terminado o show, e eles vieram num caminhão e eu vi quando o menino disse, num foi só eu que ouvi, disse: “pai, e agora? Como é que nós vamo fazer pra lavar o, o, os pneu do caminhão com alcool?” Aí o homem disse assim “não, nos pneu não pega”. Eu nunca esqueci daquela coisa. Depois eu pensei, “mas pega o quê, será?”. Eles tinham medo. Então por que eu vieram aqui, né?

INTRODUÇÃO

ALDO:

“Tinha três exames negativos, ai se tinha direito a uma licença a cada três meses. (…) Quem ia para o interior tinha direito a quinze dia, quem morava na capital era uma semana a cada três meses. (…) Ah, se não voltasse ficava ruim daí, mesmo que atrasasse 2, 3, dias, daí já não ganhava outra licença nos próximos três meses. Aí teria que passar seis meses. Era um castigo, era um castigo.”

INTRODUÇÃO

LEONOR:

“Licença não era assim fácil pra darem, tinha que ter bastante exame bom, se não não deixavam sair. […]. Saíam pelo morro e iam lá naquela figueira lá na estrada, lá que era o esconderijo deles, prá fugirem, pra pega a condução e fugir.”

INTRODUÇÃO

THEODORA:

“Quando eu vim já não era assim tão apertado, só que diz que não tinha muita liberdade de sair. Mas as pessoas que saíam pelo morro fugiam né, saíam fugidas, de certo saudade quem tinha família lá fora. Quando pegavam os fugidos, depois vinham direto ao xilindró... preso. Tinha os diretor no começo que faziam ronda de noite, eles mesmo, saiam aí pelos pavilhão por aí cuida, vê como é que estava se não tinha alguns namoro escondido, alguma coisa por ai.”

INTRODUÇÃO

ARISTIDES:

“Se eu vinha sentado num banco do ônibus, isso já depois que tinha melhorado bastante, em geral não sentavam, o banco vinha vazio, a pessoa viajava de pé e não sentava junto com uma pessoa doente, de maneira alguma. Era proibido até os doente viajar no ônibus. Paravam o ônibus num posto policial e tiravam a gente dali e traziam pra cá com a polícia.”

INTRODUÇÃO

DONA ELMA:

Eles não queriam exergar nóis. Quando eu cheguei aqui na Vila, no ônibus, as pessoas que viram que eu tava sentada, foram sentá lá na frente. Me olharam com a cara feia, e foram sentá lá na frente. Esse pessoal da Vila não gostava de nós. Tinha medo.

INTRODUÇÃO

“Os doentes seriam mantidos em rigoroso asseio, devendo trazer as feridas sempre cobertas; os domicílios seriam protegidos de insetos e sofreriam expurgos constantes; o trabalho dos doentes seria remunerado; só em casos especiais os doentes poderiam se ausentar por período limitado do Hospital; as altas e transferências obedeceriam as determinações da Divisão Técnica do DES; os artigos e utensílios manuseados ou manufaturados pelos doentes não seriam objeto de comércio, dádiva ou uso, fora da área destinada aos doentes; a moeda corrente não poderia circular entre os doentes no interior do estabelecimento, devendo ser providenciada uma outra; as visitas seriam regulamentadas pela direção; ocorreria sempre que possível a separação dos casos, segundo o grau de contagiosidade; haveria nos estabelecimentos um pavilhão de observação para os doentes que a critério das autoridades sanitárias devessem se submeter a novos exames antes da internação definitiva; os casamentos entre os doentes deveriam contar com a assentimento da administração; os filhos dos doentes seriam retirados logo após o nascimento.”

— Juliane Serres. “Nós não caminhamos sós”. Op. cit. p. 142.

 1    2  
Chamado de “Preventório” na linguagem médica da época, a instituição, localizada no bairro Belém Velho, em Porto Alegre, era um dos pilares do combate à doença. O Amparo se responsabilizava pela educação das crianças até a maioridade. ▶

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O contato com os pais biológicos era feito através de visitas esporádicas, nas quais não havia contato físico. A separação forçada dessas famílias gerou muitas histórias traumáticas e devastadoras.

Quando os moradores da cidade queriam ir mais longe, a Lagoa Negra e as praias próximas dali eram raras opções. Essa é a Praia das Pombas.

Desde 1991, a Praia das Pombas faz parte do Parque Estadual de Itapuã. Com uma área de 5.570 hectares, o parque é administrado pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, e parte dele está aberto à visitação de quarta-feira a domingo, das 9h às 18h. A entrada, porém, fica sujeita à lotação máxima permitida:350 pessoas em cada uma das praias acessíveis ao público.

Parque Estadual de Itapuã
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Uma cidade só se completa quando é possível encontrar nela espaços de lazer. O pavilhão de diversões, conhecido como Cassino, foi construído para atender a essa demanda. Festas, bailes, projeções de filmes e encenações de peças de teatro eram algumas das atividades que aconteciam no Cassino. No dia 20 de julho de 1969, a instalação de uma tevê permitiu que os moradores da colônia acompanhassem a chegada do homem à lua. Assim como os passeios à lagoa, esse lugar garantiu as boas lembranças dos tempos passados em Itapuã.

A administração da colônia exercia um controle rigoroso sobre o lazer e sobre a vida privada dos residentes.

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Embora a legislação desde a antiguidade tivesse orientado para o celibato dos leprosos e, na Idade Média, pela castração, nos Hospitais Colônias contemporâneos, sob vigilância necessária, eram permitidos casamentos entre doentes. Nesse período, o discurso que defendia o casamento entre doentes dentro dos Hospitais dizia que a prática do namoro e depois casamento, legal ou mesmo simplesmente religioso, evitaria uniões “imorais e/ ou a poligamia”. ▶

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Sobre este assunto, o relatório da Comissão Brasileira de Profilaxia da Lepra, determinou as seguintes conclusões:

1·  Não é admissível o casamento entre um leproso e uma pessoa sã;
2·  Deve ser evitado o casamento entre leprosos;
3·  Não se pode instituir em lei essa proibição;
4·  O casamento entre eles é tolerável nas leprosarias, sob vigilância médica;
5·  O divórcio é perfeitamente justificável entre cônjuges, desde que um deles seja leproso;
6·  Quando declarada tardiamente a lepra em um casal, é cabível o divórcio;
7·  Essas duas determinações devem ser estatuídas em lei;
8·  Os filhos dos leprosos devem ser separados dos seus progenitores tão logo nasçam.

(SOUZA ARAÚJO, H. C. A lepra: modernos estudos sobre seu tratamento e prophylaxia. Belém:
Tipografia do Instituto Lauro Sodré, 1923, p. 72. (Biblioteca da Faculdade de Medicina de Porto Alegre).)”

Alguns moradores ficarão para sempre na colônia.
Eles ainda são lembrados.


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Em uma comunidade composta por muitas pessoas que haviam sido afastadas de suas famílias originais, era comum que novas famílias se formassem. Afinal, ninguém sabia se um dia sairia dali. Como a praça, o refeitório também era um local de encontro. Aqui, Dona Eva conheceu o rapaz que viria a ser seu marido.

Cercado de montanhas e matas virgens, o lugar fora construído pelo Estado Novo numa época em que o confinamento parecia uma solução eficaz para um problema complexo.

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Ainda que as irmãs franciscanas pretendessem converter todos os internos ao catolicismo, o tempo mostrou que seria preciso tolerar as diferenças religiosas. Construída em 1948 por Theo Wiederspahn, a pequena igreja em estilo wrightiano visava atender a comunidade luterana da colônia, formada em sua maioria por descendentes de imigrantes alemães. Em 2010, a edificação foi tombada pelo IPHAE (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado), mas seu estado de conservação é crítico. ▶

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Theo Wiederspahn (1878 1952), alemão radicado no Rio Grande do Sul, é por muitos considerado o maior arquiteto a ter atuado no Estado. Suas obras incluem o Edifício Ely (atual Tumelero), o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), a Cervejaria Bopp (atual Shopping Total) e o Hotel Majestic (Casa de Cultura Mário Quintana).

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Seguindo os preceitos de São Francisco de Assis, que tinha como prática ajudar os desvalidos e leprosos, muitas irmãs da ordem franciscana dedicaram suas vidas aos doentes de hanseníase. Contratadas pelo Estado para atender a colônia, elas eram presença constante, do refeitório à enfermaria, atuando diretamente na disciplina e na educação dos moradores. ▶

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Muitas vezes, as irmãs franciscanas faziam também o papel de conselheiras, confidentes e amigas dos doentes, sobretudo para aqueles que, de um momento a outro, se viam em um lugar estranho e distante de suas famílias. As irmãs franciscanas deixaram Itapuã em 1995.

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Os primeiros registros de casos de lepra no mundo datam de cerca de 600 a.C. Durante os séculos que separam essa data até meados do século 20, a história da hanseníase, tal como é chamada a doença hoje, é uma história de segregação, confinamento e preconceito. ▶

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Na Europa da Idade Média, os doentes andavam com sinetas para “alertar” os outros de sua presença. Os primeiros leprosários surgiram nessa época. Parte dessa conduta de mais de dois mil e quinhentos anos deve-se ao avanço vagaroso da ciência, e parte ao imaginário negativo associado ao portador do mal de Hansen. Imaginário propagado, inclusive, pela própria Igreja Católica. ▶

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No Brasil, a criação de locais de internação compulsória torna-se efetivamente uma política de saúde pública durante a década de 1940. É nesse contexto que se insere o Hospital Colônia Itapuã. Essa colônia agrícola tinha como principal objetivo separar os doentes do resto do mundo, em um cenário idílico e auto-suficiente que contava com moeda própria, horta, padaria, igrejas, atividades de lazer e tratamento médico para os residentes. ▶

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Ainda que o isolamento compulsório tenha sido eliminado por lei em 1954, e que algumas crenças em relação ao contágio já tivessem sido derrubadas pela medicina, o Hospital Colônia de Itapuã continuou recebendo novos residentes até os anos 1970. Foi também nessa época que uma parte ociosa do hospital foi transformada em unidade agrícola de reabilitação psicológica para egressos do Hospital Psiquiátrico São Pedro. ▶

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Filhos saudáveis foram separados de pais doentes. E aqueles que nasciam dentro da colônia eram prontamente encaminhados ao Amparo Santa Cruz, de onde vinham aos domingos para uma visita rápida. Nessas ocasiões, o contato físico não era permitido.

JAIR FERREIRA

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(1970), especialização em Saúde Pública Para Médicos pela Universidade de São Paulo(1973), especialização em Dermatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (residência medica - 1972) e doutorado em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(1999). Foi coordenador do programa de Hanseníase do Rio Grande do Sul de 1974-1990, e prestou consultoria sobre a hanseníase para a OMS, Organização Panamericana de Saúde e Ministério da Saúde do Brasil. Atualmente é professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

LETICIA EIDT

Médica dermatologista, Especialista em Hansenologia pela Sociedade Brasileira de Hansenologia. É também Mestre em Educação pela PUC-RS e Preceptora do Programa de Residências Integradas em Saúde da Escola de Saúde Pública da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul.


Correio do Povo | 12.05.1940

Correio do Povo | 12.05.1940

Correio do Povo | 12.05.1940

Correio do Povo | 12.05.1940

Correio do Povo | 12.05.1940
Hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, de evolução lenta, que se manifesta principalmente através de sinais e sintomas dermatoneurológicos: lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés. O comprometimento dos nervos periféricos é a característica principal da doença, dando-lhe um grande potencial para provocar incapacidades físicas que podem, inclusive, evoluir para deformidades. Estas incapacidades e deformidades podem acarretar alguns problemas, tais como diminuição da capacidade de trabalho, limitação da vida social e problemas psicológicos. São responsáveis, também, pelo estigma e preconceito contra a doença. Por isso mesmo ratifica-se que a hanseníase é doença curável, e quanto mais precocemente diagnostica e tratada mais rapidamente se cura o paciente.

Todos os moradores dessa cidade peculiar precisavam seguir estritas regras de convivência. Homens e mulheres se encontravam na praça, mas o contato era constantemente monitorado por guardas e pelas irmãs franciscanas.

ELMA E JURACIElma reside na Colônia desde 1949. Juraci, desde 1958. São vizinhas na colônia, e se visitam com frequência.

“Eles não queriam enxergar nós.”

EVA NUNESResidente na Colônia desde 1959.

“Pra mim, Itapuã é meu hotel 5 estrelas. Minha casa.”

JOÃO E THERESINAEle residente desde 1961, ela desde 1970.

“Aqui tem tudo pra se divertir, né?”

JOÃO SALDANHAResidente na Colônia Itapuã desde 1971.

“A gente nem todo tempo vai estar sempre bem,
alguma tragediazinha tem que acontecer.”

MARLENE E NAIRMarlene reside na Colônia desde 1963,
Nair desde 1956.

“Não quero ser excluída,
eu quero ser pública.”

Este filme foi produzido em 1943 a pedido do então Departamento Estadual de Saúde do RS. Disponibilizamos o filme na íntegra, com a possibilidade de ser assistido com duas opções de áudio.

Cinejornal
[ FILME “COLÔNIA ITAPUÃ – CIDADE DE HANSENIANOS DO RIO GRANDE DO SUL, 1943”
LEOPOLDIS-SOM PRODUTORA CINEMATOGRÁFICA BRASILEIRA – PORTO ALEGRE ]

direção

LILIANA SULZBACH

produção executiva e coordenação

thais fernandes

webdesign

Tatiana Sperhacke / tat studio

produção de textos

Carol Bensimon

música

Carlos Badia e Caetano Maschio Santos

fotos

Cesar Graeff Santos

supervisão de som

Kiko Ferraz e Chrístian Vaisz

edição de som

Lucas Kinoshita, Waleska Sartori, Gabriel Schulz,
Manoel de Andrade, Dimitrius G. Machado

mixagem

Lucas Kinoshita

coordenação de estúdio de som

Lísia Faccin

auxiliar de coordenação de estúdio de som

Giovana Barros

estúdio de som

Kiko Ferraz Studios

desenvolvimento de website

Morris Ruschel / combo

desenvolvimento versão expandida do website

Wallace Morais / Hermit Crab

pesquisa

Emilia Xavier e Thais Fernandes

produção de base

Cristiane Brum e Stefania Sulzbach

edição e finalização de vídeos

Thais Fernandes

animação gráfica do mapa

Luis Otávio Feldens

Apoio

Financiamento

Produtores Associados

Realização

Se você tem fotos, vídeos, documentos ou mesmo uma história para nos contar sobre o Hospital Colônia Itapuã, ou sobre hospitais Colônia no Brasil, você pode compartilhar com a gente através deste e-mail:

cidade@tempoportoalegre.com

Após uma seleção, publicaremos o material neste espaço.

Ao visitar Itapuã pela primeira vez em 2007, tive a impressão de estar num lugar idílico, uma cidadezinha cercada de montanhas e matas virgens, uma espécie de paraíso na terra.

Ao me aproximar do local e seus moradores, o paraíso avistado de longe revelou dramas únicos e pungentes. Durante décadas, o lugar foi palco de inúmeras histórias de vida e trabalho. Nem sempre tristes, mas na maioria das vezes devastadoras. Isolados da sociedade, os moradores buscavam transpor para dentro do lugar os aspectos de “normalidade” da vida cotidiana. Dessa forma, forjaram uma comunidade única, com hábitos, disciplinas e trabalhos bem característicos. Esta comunidade está em vias de desaparecer: a localidade que já abrigou 1454 pessoas durante mais de 70 anos de existência, conta com apenas 35 moradores, todos acima de 60 anos.

Lá, ninguém gosta de lembrar o que Itapuã foi no passado, mesmo que para muitos a lembrança permaneça inscrita no próprio corpo.

Ao longo de décadas, o local foi objeto de estudos, de algumas reportagens e filmes que revelavam muito mais sobre a forma característica de documentar fatos em diferentes épocas do que sobre a instituição em si.

Dessa maneira, ao mesmo tempo que me parecia urgente a documentação de uma forma de vida prestes a desaparecer, também sentia a necessidade de questionar as diversas formas de representação do real.



Mesmo que o foco do documentário seja o cotidiano de seus habitantes, trabalhamos as imagens do filme de forma que, a medida em que as informações vão se apresentando, nosso olhar sobre o que é visto vai se modificando. As mesmas imagens mostradas num primeiro momento adquirem outra dimensão no instante seguinte. Será que o que é dito – de outra forma – pode também adquirir outro sentido?

Exibido em diversos festivais e algumas salas de cinema a partir de 2012, “A Cidade” recebeu vários prêmios e foi licenciado para a televisão. Porém, as histórias que permeiam o lugar transcendem o filme e pedem um registro maior que os 25 minutos de duração do documentário. Estimulada pela equipe a dar continuidade ao tema, pensei na elaboração de um projeto transmídia.

Juntamente com a editora e produtora Thais Fernandes, selecionamos o conteúdo e material inédito que deveria compor um projeto que se sustenta em três pilares: o filme “A Cidade” (exibido em festivais, salas de cinema e televisão), o DVD com material complementar e um website intitulado “A Cidade Inventada”, cuja navegação permite um passeio pelo lugar de forma interativa, apresentando um outro jeito de vivenciar a história. É mais um desdobramento de uma experiência que queremos compartilhar com os internautas, mostrando outras faces de Itapuã, mas longe de esgotar as suas inúmeras e possíveis interpretações.

– Liliana Sulzbach

Você pode assistir ao filme “A Cidade” na íntegra. Porém, para uma melhor experiência audiovisual, sugerimos que você termine a navegação do site antes de assisti-lo.

A CIDADE

[ 2012, tempo porto alegre ]

roteiro, produção e direção

LILIANA SULZBACH

fotografia

FRANCISCO ALEMÃO RIBEIRO

MONTAGEM

ANGELA K. PIRES

SOM DIRETO

CLÉBER NEUTZLING

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO

JOSIE DEMENEGHI e LEILANIE SILVA

MÚSICA

CARLOS BADIA

EDIÇÃO E MIXAGEM DE SOM

KIKO FERRAZ STUDIOS

FINALIZAÇÃO DE IMAGEM

LUIS OTÁVIO FELDENS

EMPRESA PRODUTORA

TEMPO PORTO ALEGRE

Prêmios
  • Menção Honrosa, Festival É Tudo Verdade, Brasil, 2012.
  • Prêmio ABRACCINE de Melhor Curta Metragem, Festival É Tudo Verdade, Brasil, 2012.
  • Prêmio ABD/SP de Melhor Curta Metragem, Festival É Tudo Verdade, Brasil, 2012.
  • Prêmio Aquisição Canal Brasil, Festival É Tudo Verdade, Brasil, 2012.
  • Escolhido pelo público entre os dez melhores da programação do 23° Festival Internacional de Curtas de São Paulo, 2012.
  • Melhor Direção, Melhor fotografia e Melhor Som de Curta Metragem Documentário no 45° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 2012.
  • Prêmio Especial do Júri, 9° Amazonas Film Festival, 2012.
  • Prêmio Especial do Júri no 49° Chicago International Film Festival, 2013.
  • Exibido no New Directors, New Films, 2013 em NY, USA.
  • Seleção Oficial SXSW (South By Southwest), 2013, Austin, USA.

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